Análise de Efésios 4.7-16



v.7
A GRAÇA
→ É a definição numa única palavra do evangelho, as boas-novas da oferta da salvação de Deus para a humanidade pecaminosa e indigna. Deus é o Deus da graça porque Ele é o Deus que dá gratuitamente; sua oferta não tem relação com qualquer coisa que tenhamos feito, mas é imerecida, não obtida e da qual ninguém é digno.

→ Ao contrário do salário do qual o trabalhador torna-se digno, através do seu suor, a graça é um dom de Deus. A palavra grega traduzida como dom significa no original ‘’presente’’. A salvação não é obtida, é recebida.

●  Ele nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não por causa das nossas obras, mas devido ao seu propósito e à graça que nos foi concedida em Cristo Jesus antes dos tempos eternos. (2Tm 1:9)

●  Ora, o salário daquele que trabalha não lhe é atribuído como favor, mas como dívida. Contudo, ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4.4-5)

A CADA UM
→ Contrastando o que acabou de dizer com o que está prestes a ser dito, Paulo passa do assunto da unidade dos cristãos (v.6) para o da singularidade dos cristãos (v.7 – ‘cada um’).

DOM DE CRISTO
→ Cada cristão tem um dom espiritual único dado por Deus de acordo com a sua soberana vontade e o seu desejo. O termo grego para ‘’dom’’ não foca no Espírito como a fonte, como o termo usado em 1Co 12:1, nem na graça mostrada em Rm 12:6, mas na gratuidade do dom.

v.8
QUANDO ELE SUBIU ÀS ALTURAS
→ Paulo usou uma tradução interpretativa do Sl 68:18 como uma analogia alternativa para mostrar como Cristo recebeu o direito de conceder os dons espirituais.
→ O Salmo 68 é um hino de vitória composto por Davi para celebrar a conquista da cidade de Jerusalém dos jebuseus por Deus e a triunfante ascensão de Deus ao Monte Sião (cf. 2Sm 6-7; 1Cr 13). Depois desse triunfo, o rei levou para a casa os despojos e os prisioneiros. Aqui, Paulo retrata Cristo retornando de sua batalha na terra para a glória da cidade celestial com os prêmios de sua grande vitória no calvário.

LEVOU CATIVO O CATIVEIRO
→ Mediante a sua crucificação e ressurreição, Cristo venceu Satanás e a morte, e, em triunfo, devolveu a Deus aqueles que, antes, eram pecadores e prisioneiros de Satanás.

→ Jesus tomou cativos exatamente os poderes que nos prendiam e agora generosamente nos concede os dons do vencedor (cf. Sl 68:18).

●  Ele nos tirou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado. (Cl 1:13)

●  Tendo despojado os principados e poderes, os expôs em público e na mesma cruz triunfou sobre eles. (Cl 2:15)

CONCEDEU DONS AOS HOMENS
→ Jesus distribuiu os despojos por todo o seu reino. Depois da sua ascensão, vieram todos os dons espirituais outorgados pelo Espírito, o qual foi, então, enviado por Deus.

v.9
SUBIU
→ A ascensão de Jesus da terra para o céu (cf. At 1.9-11), onde ele reina eternamente com seu Pai.

HAVIA DESCIDO
→ Refere-se à encarnação de Cristo, quando ele veio do céu como homem para a terra de sofrimento e morte. Aquele que subiu é aquele que antes desceu à encarnação e à humilhação da cruz.

● Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, existindo em forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus algo a que devesse se apegar, mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens. (Fp 2.5-7)


ÀS REGIÕES INFERIORES
→ Essa expressão é mais bem interpretada por ‘’regiões mais baixas, à terra’’ ou ‘’ao nível mais baixo (do universo, quando visto do céu), até lá bem na terra’’.

→ Trata-se de um forte contraste com os mais altos céus para onde ele ascendeu posteriormente (cf. Sl 139,8-15; Is 44:23). Essa expressão não aponta para um lugar específico, mas para a grande profundidade, por assim dizer, da encarnação.

v.10
PARA ENCHER TODAS AS COISAS
→ Após o Senhor ter ascendido, tendo cumprido todas as profecias e todas as tarefas redentoras ordenadas divinamente, ele obteve o direito de governar a igreja e dar os dons, na medida em que ele estava enchendo todo o universo com sua presença, seu poder, sua soberania e suas bênçãos divinas (cf. Fp 2.9-11).

v.11
ELE MESMO CONCEDEU
→ Como evidenciado pelo cumprimento perfeito da vontade de seu Pai, Cristo possuía autoridade e soberania para conceber dons espirituais àqueles que ele havia chamado para o serviço em sua igreja. Ele não só concedeu dons, mas também homens talentosos.

→ Essa seleção de líderes destaca particularmente aqueles que revelam, declaram e ensinam o evangelho. Embora muitos, possuem uma única mensagem.

→ Deus é quem chama os seus servos, Ele vem ao nosso encontro. Foi assim com Moisés, Abraão, Jeremias, Paulo e continua sendo assim até os dias de hoje.

APÓSTOLOS
→ Um termo usado particularmente para os 12 discípulos que tinham visto o Cristo ressurreto (At 1:22), incluindo Matias, o qual substituiu Judas. Mais tarde, Paulo foi separado, exclusivamente, como apóstolo dos gentios e foi contado com os outros apóstolos. Ele também, milagrosamente, encontrou Jesus no caminho para Damasco (At 9.1-9). Esses apóstolos foram escolhidos diretamente por Cristo, por isso serem chamados de ‘’apóstolos de Cristo’’ (Gl 1:1 ; 1Pe 1:1). Foram dadas a eles três responsabilidades:
1) estabelecer o fundamento da igreja (Ef 2:20)
2) receber, declarar e escrever a palavra de Deus (Ef 3:5 ; At 11:28)
3) apresentar confirmações dessa Palavra por meio de sinais, maravilhas e milagres (2Co 12:12 ; At 8.6-7 ; Hb 2.3-4)

→ O termo ‘’apóstolo’’ (no original) é usado de um modo mais geral para os outros homens da Igreja Primitiva, tais como Barnabé (At 14:4), Silas, Timóteo (1Ts 2:6) dentre outros (Rm 16:7; Fp 2:25). Eles eram chamados de ‘’apóstolos das igrejas’’ (2Co 8:23), em vez de ‘’apóstolos de Jesus Cristo’’ como os 13. Eles não se autoperpetuavam nem eram substituídos quando um dos apóstolos morria.

PROFETAS
→ Não eram os cristãos comum que tinham o dom da profecia, mas homens especialmente comissionados na Igreja Primitiva. O ofício de profeta parece ter sido exclusivamente para o trabalho na congregação local. Eles não eram ‘’aqueles enviados’’ como eram os apóstolos (cf. At 13:1), porém, como os apóstolos, o seu ofício cessou com a conclusão do NT.
→ A mensagem deles tinha de ser julgada por outros profetas para ser validada (cf. 1Co 14:32) e tinha de estar em conformidade com os ensinos dos apóstolos. Esses dois ofícios foram substituídos pelos de evangelista e pastor-mestre.

EVANGELISTAS
→ Eram os homens que proclamavam as boas-novas da salvação em Jesus Cristo para os incrédulos. (cf. At 21:8 ; 2Tm 4:5).

PASTORES E MESTRES
→ Essa expressão é mais bem compreendida no contexto como um ofício único de liderança na igreja. A palavra grega traduzida por ‘’e’’ pode significar ‘’em particular’’ (cf. 1Tm 5:17). O significado comum de pastor é ‘’conduzir’’; assim, as duas funções juntas definem o pastor-mestre. Ele é identificado como aquele que está sob o ‘’grande Pastor’’ Jesus (cf. Hb 13.20-21 ; 1Pe 2:25).

→ Aquele que exerce esse ofício é também chamado de ‘’presbítero’’ (cf. Tt 1.5-9) e ‘’bispo’’ (cf. 1Tm 3.1-7). As passagens de At 20:28 e 1Pe 5.1-2 trazem, no original, os três termos juntos.

→ ‘’Pastores’’ e ‘’mestres’’ compartilham o mesmo artigo definido no grego, e isso pode sugerir que constituam um só grupo (‘’pastores que são também mestres’’); mas nessa lista mais longa de diferentes ministérios é mais provável que os dois grupos com funções sobrepostas estejam em vista (cf. 1Co 12.28-29; Gl 6:6) . (D.A.Carson)

v.12
APERFEIÇOAMENTO DOS SANTOS
→ Diz respeito a restaurar algo à sua condição original, ou à sua forma adequada ou perfeita. Nesse contexto, refere-se a conduzir os cristãos do pecado para a obediência. A Escritura é a chave para esse processo.

→ Através dessa descrição temos um referencial através do qual podemos reconhecer aqueles que foram ou não chamados por Deus para exercerem o ofício de pastor. Aquele que verdadeiramente possui o chamado de Deus, terá como fundamento do seu ministério a pregação do genuíno Evangelho de Cristo, conduzindo a congregação a uma vida de santidade, cuja centralidade do culto repousa em Deus e não nos homens.

●  Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2Tm 3.16-17)

DESEMPENHO DO SEU SERVIÇO
→ Todos os cristãos individualmente possuem um serviço espiritual a ser exercido, não apenas os líderes da igreja.

●  Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão. (1Co 15:58)

EDIFICAÇÃO DO CORPO DE CRISTO
→ A edificação espiritual, a instrução e o desenvolvimento da igreja.
 Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. (At 20:32)

(*)
Nesse único versículo, encontramos três benefícios causados pelo ensino fiel da Palavra: aperfeiçoamento dos santos, desempenho no serviço cristão e edificação do corpo de Cristo.

v.13
ATÉ QUE
→ ‘’Até que’’ também tem as implicações de ‘’em direção a’’. O que Cristo vai realizar e concluir no final é o alvo para o qual, pela graça de Deus, os líderes foram colocados para trabalhar e conduzir a igreja.

UNIDADE DA FÉ
→ A fé, aqui, diz respeito ao corpo da verdade revelada que constitui o ensinamento cristão, caracterizando, particularmente, todo o conteúdo do evangelho. A unidade e a harmonia entre os cristãos são possíveis somente quando construídas sobre o fundamento da sã doutrina.

CONHECIMENTO DO FILHO DE DEUS
→ Não se refere ao conhecimento da salvação, mas ao profundo conhecimento de Cristo que o cristão vem a ter por meio da oração, do estudo fiel da sua Palavra e da obediência aos seus mandamentos.

À MEDIDA DA ESTATURA DA PLENITUDE DE CRISTO
→ Deus quer que cada cristão manifeste as qualidades de seu Filho, o qual é ele mesmo o padrão para a maturidade espiritual e perfeição. Mas esse é um processo que durará até a segunda volta de Cristo, e somente então, atingiremos ‘’o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo’’.

 Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Rm 8:29)

 E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2Co 3:18)

LEVADOS AO REDOR POR TODO VENTO DE DOUTRINA
→ Deus usa seus servos para que não sejamos pegos nas armadilhas da imaturidade da infância (reféns de quaisquer pressões), mas comecemos a crescer em direção à maturidade esperada, a saber, à própria semelhança de Cristo.

→ Os cristãos espiritualmente imaturos, os quais não estão fundamentos no conhecimento de Cristo por meio da Palavra de Deus, são inclinados a aceitar, de modo não crítico, toda sorte de erros doutrinários enganosos e interpretações ardilosas da Escritura anunciadas pelos falsos e enganosos mestres na igreja. Eles devem aprender a ter discernimento.

 Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal. (1Ts 5.21-22)

● Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2Pe 2.1)

v.15
SEGUINDO A VERDADE EM AMOR
→ A evangelização é mais efetiva quando a verdade é proclamada em amor. Ela só pode ser realizada por um cristão maduro espiritualmente, o qual está perfeitamente aperfeiçoado na sã doutrina. Sem maturidade, a verdade pode ser fria e o amor não passará de sentimentalismo.

CRESÇAMOS… NAQUELE
→ Enquanto as imagens usadas até aqui (v.11-14) quase sugerem que a igreja cresce em direção a uma maturidade independente como a de Cristo, a mudança de imagem no final do v.15 lembra o leitor de que Jesus é o Senhor (cabeça) de todo o processo, e que a intenção é que a igreja cresça para uma maior intimidade com ele.

→ Os cristãos devem estar totalmente rendidos ao Senhor e obedientes à Sua vontade.

→ Embora, como cristãos, já estejamos em Cristo, estamos de modo embrionário como crianças, mas tenha que caminhar para a maturidade cristã.

A CABEÇA
→ Dada a figura da igreja como um corpo cuja cabeça é Cristo, ‘’cabeça’’ é usada no sentido de líder com autoridade, e não ‘’fonte’’, que exigiria uma figura diferente.

v.16
AUXÍLIO DE TODA JUNTA
→ Ao longo de todo o processo, essa edificação e o crescimento são mantidos em unidade e coesão pelo esforço de toda junta (ecoando o papel dos líderes de ensino). Tudo isso apresenta um desafio para hoje: estão os líderes promovendo esse tipo de crescimento unido de toda a igreja de Deus e queremos nós seguir?

COOPERAÇÃO DE CADA PARTE
→ O crescimento bíblico e piedoso da igreja resulta de cada membro do corpo usar por completo o seu dom espiritual, em submissão ao Espírito Santo e em colaboração com outros cristãos.

→ O capítulo 1 terminou com a revelação de que Cristo enche todas as coisas; e nós, que fazemos parte do seu corpo, temos dentro de nós a nutrição vital de Cristo. Ele está produzindo este alimento ou vitalidade que passa de um célula para outra. Veja estas palavras: todo o corpo, bem ajustado (unido) e consolidado (indicando que os membros estão intercedendo uns pelos outros, ensinando uns aos outros), pelo auxílio (a palavra ‘’auxílio’’ não é uma boa tradução, pois é possível deduzir do original que se trata de um suprimento que produz se dentro do corpo, porque Cristo vive no corpo) de toda junta segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. 


Bibliografias
● Bíblia de Estudo MacArthur
● Comentário Bíblico Vida Nova, D.A,CARSON
● Russel P.Shedd – Epístolas da Prisão, Editora Vida Nova