Análise de Efésios 1


→ A epístola divide-se basicamente em duas partes: os três primeiros capítulos falam principalmente de doutrina e história, aquilo que Deus já fez e está fazendo; enquanto que o restante da epístola nos desafiam a fazer alguma coisa, em decorrência do que Deus faz e já fez.

→ É comum vermos nas epístolas de Paulo sua preocupação primária de fazer com que seus destinatários compreendam os feitos e a vontade de Deus, capacitando-os assim a viverem de modo a glorificarem a Deus. Este recurso didático nos mostra que o conhecimento da verdade não é um fim em si mesmo, mas sim uma maneira de nos capacitar a viver de um modo a glorificar a Deus.

DOXOLOGIA: RAZÕES PARA LOUVAR A DEUS (v.1-14)
→ Essa passagem (v.3-14) descreve o plano principal de Deus para a salvação no que diz respeito ao passado (eleição), ao presente (redenção) e ao futuro (herança).
→ Paulo irrompeu em louvor a Deus nesses versículos, os quais formam uma única frase nos escritos originais (língua grega).
→ Pode ser vista também como enfatizando o
Pai (vs. 3-6), o Filho (vs. 7-12), e o Espírito (vs. 13-16).
→ Louvor ao Pai que nos elege (vs. 3-6), ao Filho que nos redime (vs. 7-12) e ao Espírito com o qual somos selados (vs. 13-14).
→ Paulo refletiu sobre a predestinação dos crentes na eternidade, no perdão no presente e na herança no futuro.
→ Um conceito central aparece nessa adoração na repetição da expressão ‘’em Cristo’’ ou na palavra ‘’nele’’, as quais se referem à profunda união que Deus estabeleceu entre Cristo e o seu povo escolhido, absolvido e selado.

LOUVOR A DEUS PAI (vs. 1-6)

v.1
APÓSTOLO
→ Paulo primeiramente se identifica como apóstolo, apóstolo de Jesus Cristo, ou seja, aquele que foi enviado por Jesus Cristo, aquele que era mensageiro de Jesus Cristo, aquele que uma autoridade que lhe foi concedida diretamente por Jesus Cristo.
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PALAVRA CHAVE: 
 apostolos
Num sentido geral: um mensageiro.
Em verdade, em verdade vos digo: O escravo não é maior que seu senhor, nem o mensageiro é maior que aquele que o enviou. (Jo 13:16)
Contudo, achei necessário enviar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, companheiro de lutas, a quem enviastes para me socorrer nas minhas necessidades. (Fp 2:25)

II) Referindo-se a mensageiros ou embaixadores enviados da parte de Deus.

Por isso diz a sabedoria de Deus: Eu lhes mandarei profetas e apóstolos; e eles matarão uns e perseguirão outros. (Lc 11:49)
Conheço tuas obras, teu trabalho e tua perseverança. Sei que não suportas os maus e que puseste à prova os que se dizem apóstolos, mas não são, e descobristes que são mentirosos. (Ap 2:2)

III) Referindo-se aos doze apóstolos de Cristo (cf. Mt 10:2 ; Lc 6:13 ; At 1:26 ; Jd 17), bem como a Paulo, considerado como o ‘’apóstolo dos gentios’’ (cf. 1Tm 2:17 ; 2Tm 1:11)

IV) Num sentido mais amplo, referindo-se aos ajudantes e companheiros dos doze, como colaboradores na implantação de igrejas (cf. 2Co 8:23); como se vê com Paulo e Barnabé (cf. At 14.4;14) e Andrônico e Júnia (cf. Rm 16:7)

*Obs: Neste último sentido, todos os cristãos de certa forma são ‘’apóstolos’’, ou seja, colaboradores para o avanço do Reino de Deus sobre a terra, porém, não existe mais apóstolos no sentido que foi atribuído aos doze e a Paulo, pois, somente estes foram diretamente chamados por Cristo, testemunharam do seu ministério terreno ouvindo os seus ensinos e vendo os seus milagres, e viram-no ressurreto.
Dessa forma, não existe mais ‘’apóstolos de Jesus Cristo’’, pois é impossível nos nossos dias haver alguém que tenha sido chamado diretamente por Jesus, tenha acompanhado o seu ministério e visto a sua ressurreição.
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→ A palavra apóstolo, que indica o reconhecimento da autoridade de Paulo, baseia-se numa palavra aramaica ‘’shãliah’’. Esse termo, segundo Rengstorf, sugere que o apóstolo é o que é comissionado não apenas como missionário, que leva uma mensagem; não apenas como embaixador, que tem sua carta selada para entregar a um rei de outro país; mas como procurador, que substitui aquele que o mandou e pode tomar iniciativas. Assim, o que ele vai falar e fazer é em Cristo.

SANTOS
→ É interessante notarmos que Paulo em sua saudação identifica duas qualidades que faziam parte dos membros daquela igreja: santidade e fidelidade.
→ A palavra grega utilizada para santo é ‘’hagios’’ que no sentido físico significava sagrado; no sentido moral, algo puro; no sentido cerimonial, algo consagrado. Literalmente podemos dizer ‘’de uso exclusivo’’.
→ Todos os cristãos inevitavelmente são pessoas ‘’santas’’, no sentido de serem de ‘’uso exclusivo’’ do Senhor, não prevalece mais as suas vontades, mas sim a vontade daquele que os salvou, por isso o apóstolo declara
‘’não sou mais eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim’’– Gl 2:20.

FIÉIS
→ Uma servo fiel é aquele que confia no seu Senhor, e expressa essa confiança obedecendo à sua palavra, vivendo de forma obediente.
→ É impossível sermos fiéis a Deus sem confiarmos nEle.
→ Podemos citar a história de Nóe como exemplo (Gn 6.13-22). Nunca havia chovido na terra e Deus ordena a Noé que construa uma arca, pois viria um dilúvio. Mesmo sem nunca haver visto uma gota d’água caindo do céu, Noé confiou na palavra do Senhor e construiu a arca por aproximadamente 120 anos, ou seja, em 120 anos Noé se manteve fiel a Deus, confiando que o dilúvio iria acontecer assim como o Senhor havia dito.

v.3
BENDITO O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
”Toda doutrina deve ser como um fundamento ou como o solo, no qual a vitalidade de adoração e culto cresce constantemente.” (Russel Shedd)

→ Bendito seja Deus! O que Deus tem feito para que o louvemos de coração? A essa pergunta se responde da seguinte forma:
ele nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (v.3).

EM CRISTO
→ Significa um relacionamento íntimo com ele, com a intimidade de uma vida transformada, de uma vida resgatada, salva; uma vida em que Cristo é realmente Senhor, aquele a quem já nos entregamos.
→ A expressão em Cristo tem a ideia de representação, uma representação total de nossa vida.
→ Não devemos nos esquecer também de que estar em Cristo quer dizer estar no Espírito e ter o Espírito Santo em nós, unindo-nos a Cristo e uns aos outros no seu corpo, a igreja.

NAS REGIÕES CELESTIAIS
→ Essa expressão não aparece em outras epístolas paulinas.
→ Os eruditos não têm muita certeza quanto ao que Paulo queria transmitir com essa expressão, mas parece-me que Paulo quer chamar a nossa atenção à realidade de que, quando estamos em Cristo, já estamos como que retirados deste mundo, e muitos fatores que normalmente controlariam nossa atitude assumem uma nova realidade: a realidade da exaltação de Cristo (Russel Shedd).

AS BÊNÇÃOS QUE MOTIVAM O NOSSO LOUVOR

v.4
1º BENÇÃO – NOS ESCOLHEU
→ A eleição divina antecede a criação, e a seleção é feita em Cristo. (F.F.Bruce)
→ Se Deus não tivesse nos escolhido antes da fundação no mundo, é certo que não estaríamos aqui nem seríamos filho de Deus.
→A doutrina da eleição é enfatizada ao longo de toda a Escritura (cf. Dt 7:6 ; Is 45:4 ; At 13:48 ; 2Tm 2:10 ; 2Ts 2:13 ; 1Ts 1.3-4)
→ A forma do verbo grego ‘’escolheu’’ indica que Deus não só escolheu ele mesmo, como também para ele mesmo para louvor de sua própria glória. A eleição ou predestinação de Deus não opera à parte da responsabilidade do ser humano de crer em Jesus como Senhor e Salvador (cf. Mt 3.1-2; 4:17; Jo 5:40).

SANTOS E IRREPREENSÍVEIS
→ Descreve tanto o propósito quanto o resultado da escolha de Deus daqueles que serão salvos.
→As pessoas iníquas são declaradas justas, os pecadores indignos são declarados dignos da salvação, tudo porque são escolhidos ‘’nele’’ (Cristo). Refere-se à justiça de Cristo imputada a nós, a justiça perfeita que coloca os cristãos numa posição santa e irrepreensível diante de Deus, embora no viver diário eles não consigam atingir o seu padrão santo.
→O propósito da eleição é afirmado claramente –
para sermos santos e irrepreensíveis. A santificação (positiva) e a inculpabilidade (negativa) começam agora, mas não são completamente atingidas até estarmos em sua presença. (F.F.Bruce)

v.5
2º BÊNÇÃO – NOS PREDESTINOU
→ A palavra ‘’predestinar’’ significa ‘’destinar com antecipação’’, sugerindo uma espécie de seleção. Em face da impossibilidade de desejarmos receber o seu convite, de sermos santificados ou de nos tornar irrepreensíveis, por causa do amor que tenho e que todos nós temos pelo pecado, Deus então me deu as condições que me faltavam, colocando ao meu lado justamente as influências que humanamente explicam essa mudança de direção na vida.

→ Lendo Romanos 8:29, encontramos que, na predestinação, para sermos adotados, o interesse divino é que sejamos transformados em réplicas, imagens de Jesus Cristo, ou fotografias vivas dele! Essa adoção é nossa em Cristo. Cristo é o Filho por natureza, nos somos filhos por adoção.

→ Os pais humanos podem conceder amor, recursos e herança a um filho adotivo, mas não suas próprias características peculiares. Mas Deus, de maneira milagrosa, concede a sua própria natureza àqueles a quem ele elegeu e que creu em Cristo. Ele os torna seus filhos à imagem de seu Filho divino, concedendo a eles não só as riquezas de Cristo, mas também a sua própria natureza (cf. Jo 15:15 ; Rm 8:15).

SEGUNDO O BENEPLÁCITO DE SUA VONTADE
→ Isso significa que Deus não nos elegeu antes da fundação do mundo devido aos nossos méritos, mas sim devido ao beneplácito ( eudokia – prazer, deleite, satisfação) da sua própria vontade.
→ Paulo deixa esse conceito bem claro ao escrever a sua segunda carta a Timóteo: ‘’ele nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não por causa das nossas obras, mas devido ao seu propósito e à graça que nos foi concedida em Cristo Jesus antes dos tempos eternos’’ (2Tm 1:9).

V.6 PARA LOUVOR DA GLÓRIA DE SUA GRAÇA
→ O propósito último da salvação é a glória de Deus porque DEle, por Ele e para Ele são todas as coisas (cf. Rm 11:36).
→ O pensamento do amor do Deus todo-poderoso leva a uma torrente extravagante de louvor (vs. 12-14) pela graça impressionante de um Deus que não apenas tem o poder de superar todos os obstáculos para levar corpos espiritualmente sem vida para um relacionamento vivo com ele, mas também a vontade de fazer isso. Isso é expandido em 2.1-10. Esse louvor é o objetivo do propósito e da obra redentores de Deus.

LOUVOR A DEUS FILHO (vs. 7-12)
v.7
3
ª BÊNÇÃO – NELE TEMOS A REDENÇÃO
→ O termo usado aqui (‘’apolytrôsis’’)está relacionado ao pagamento a Deus do preço exigido pela libertação de uma pessoa da escravidão. O sacrifício de Cristo na cruz pagou esse preço por cada pessoa eleita escravizada pelo pecado, comprando-as do mercado de escravos da iniquidade (cf. 2Co 5.18-19). (John MacArthur)
→ O preço da redenção era a morte (cf. Lv 17:11 ; Rm 3.24-25 ; Hb 9:22 ; Ap 5.8-10). Sem derramamento de sangue não haveria remição de pecados, ao derramar o Seu sangue no madeiro, Jesus Cristo, de forma substitutiva, morreu por aqueles que haveriam de crer.

→ Redenção significa que Deus eliminou os sinais da nossa escravidão às forças satânicas, ao pecado, à nossa própria carne, ao egoísmo, às forças da Lei e da morte. As algemas foram rompidas, e Deus nos ofereceu, em Cristo, a liberdade de filhos, de modo que, segundo Romanos 8:15 e Gálatas 4:6, como um reconhecimento público o novo cristão declara ‘’Aba, Pai’’.
→ O verbo está no presente. Redenção é uma realidade de vida contínua em decorrência da nossa posição em Cristo. Podemos nos achegar arrependidos diante dele, reconhecendo a nossa fraqueza humana, pois ele nos oferece essa bênção continuamente.
→ Na Teologia de Paulo, a redenção é passada, presente e futura.

v.8
4º SEGUNDO A RIQUEZA DA SUA GRAÇA, QUE DEUS DERRAMOU…
→ Cristo abriu o seu livro de informações. Ele nos oferece o seu plano para o futuro. Assim, não há necessidade de ficarmos desesperados diante da maneira como o mundo parece estar se tornando cada vez mais sujeito às forças do caos. Não, pelo contrário, dizem os versículos 9 e 10. Deus já propôs – e Ele não pode ser contrariado neste propósito – que todas as coisas um dia vão convergir em Jesus Cristo, que estará encabeçando tudo. Tudo mesmo! (Russel Shedd)

v. 9
MISTÉRIO
→ ‘’Misterion’’ é um segredo que agora é revelado ‘’o seu propósito oculto’’. É uma palavra pagã, usada em referência a rituais secretos. Ocorre com frequência no NT e na literatura judaica da época,e é encontrada também na LXX(Septuaginta) de Dn 2 como referência a coisas secretas. Não sugere necessariamente algo muito difícil. Aqui o propósito até então oculto de Deus, agora tornado conhecido por meio de homens inspirados (Ef 3.5). (F.F.Bruce)

v.10
PLENITUDE DOS TEMPOS
→ Um sistema ou adminstração a ser executada quando o período designado tiver se cumprido e o tempo for oportuno (F.F.Bruce).

v.11
PREDESTINADOS
→ Antes que a terra fosse formada, Deus, de modo soberano, determinou que todo pecador eleito – embora vil, sem valor e merecedor da morte – ao confiar em Cristo seria tornado justo. (John MacArthur)

v.12
PARA O LOUVOR DA SUA GLÓRIA
→ A glória de Deus é o supremo propósito da redenção (cf. vs. 6,14)


LOUVOR A DEUS ESPÍRITO SANTO (vs. 13-14)


v.13
SELADOS COM O ESPÍRITO SANTO DA PROMESSA
→ O próprio Espírito de Deus vem habitar no cristão, assegurar a sua salvação eterna e preservá-la. Esse selo do qual Paulo fala diz respeito a uma marca oficial de identificação colocada numa carta, num contrato ou em qualquer outro documento. Por meio disso, esse documento estava, oficialmente, sob a autoridade da pessoa cujo timbre estava no selo.
O selo expressa quatro verdades principais:
1) segurança (cf. Dn 6:17 ; Mt 27.62-66); 2) Autenticidade (cf. 1Rs 21.6-16)
3) Domínio(cf. Jr 32:10) e 4) autoridade (cf. Et 8.8-12).

O Espírito Santo é dado por Deus como garantia da herança futura do cristão em glória (cf. 2Co 1:21).

→ Como a impressão indelével deixada pelo selo do anel de um rei, o Espírito Santo é uma marca interior da posse de Deus sobre o seu povo.

V.14 PENHOR
→ O Espírito não é apenas um cumprimento da promessa de Deus de habitar em seu povo, mas também uma garantia de que Deus lhes dará a sua herança final. Como a entrada ou primeira parcela de sua redenção total, o Espírito é uma garantia e um antegozo da glória dos tempos que estão por vir (Rm 8.18-23).

PROPRIEDADE
→ Isso evoca a noção do Antigo Testamento de que Deus escolheu um povo como sua herança (Dt 32:9 ; Sl 33:12) e comprou-o da escravidão para que se tornasse uma posse de grande valor (Êx 19:5 ; Dt 7:6).

UM MODELO INSPIRADO DE INTERCESSÃO (v.15-23)
Por que Paulo orava ?
→ Por que oramos tão pouco? Por que os santos do passado gastavam horas, que sentiam passar como minutos, enquanto gastamos minutos que parecem horas?
A razão me parece, simplesmente, a falta de amor. Se o amor de Deus não é derramado, segundo Romanos 5:5, pelo Espírito, em meu coração, não tenho suficiente motivação para separar tempo da minha agenda (tão cheia) para orar. Mesmo que, com aquele sentimento de obrigação, eu marque uma hora ou duas, uma manhã ou uma noite, para orar, quando me ajoelho para assim fazer, encontro mil coisas que me desviam a atenção (Russell Shedd).

→ As igrejas da Ásia estavam longe do apóstolo, mas ele se sentia tão constrangido pelo amor de Cristo, que sua vida estava intimamente ligada à vida e aos problemas dos seus ‘’netos na fé’’ (os que foram ganhos pelos seus discípulos, seus filhos na fé), sentindo-se com relação a eles um verdadeiro pai, um pai espiritual. Por isso, à semelhança da mãe ou do pai que vê os problemas e as necessidades da família e ora por ela, Paula orava por causa do amor que sentia.


→A frase que ele usa para descrever a sua vida de oração é: não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações (v.16). ‘’Orar sem cessar!’ – uma frase que descreve tanto a sua vida (Cl 1:9), como o seu ensino (1Ts 5:17).
→ É impossível separar a fé e o amor. Quem se compromete com Cristo, compromete-se com os seus irmãos e com o mundo perdido. Aí está a motivação da oração: adoração e novos crentes que precisam de edificação.

v.17
SABEDORIA

→ No AT, sabedoria significava olhar para a vida com os olhos de Deus e perceber o que Ele está fazendo, para então envolver-se nisso. No livro de Provérbios, os conselhos sábios tratam de diversos assuntos: dinheiro, como gastá-lo como Deus quer; casamento, planejamento da vida familiar e educação dos filhos de acordo com a vontade de Deus; e também como cultuar a Deus.

→ No NT, encontramos numa nova dimensão (cf. 1Co 1.22-24).
Quando chegamos em 1Co 2:2 esta sabedoria, diz Paulo, concentrou-se na sua pregação da seguinte forma: ‘’Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado’’.
→ O problema da igreja de Corinto e de todas as nossas igrejas é que nossa sabedoria, muitas vezes, não é a sabedoria imersa no significado da cruz: saber realmente amar, até o ponto de sacrificar-se.

v.18

ILUMINADOS OS OLHOS DO VOSSO CORAÇÃO
→ Você sabia que o seu coração tem olhos? O texto diz que tem. No original, a iluminação significa o milagre do homem cego, isto é, tinha olhos, mas estava cego. Em 2Coríntios 4:4 lemos que ‘’
o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho. Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo’’.

v.19-20
SUPREMA GRANDEZA DO SEU PODER
→ O grande poder de Deus, esse mesmo poder que ressuscitou Jesus da morte e o elevou de volta pela ascensão para a glória a fim de fazê-lo sentar-se à direta de Deus, é dado a todo cristão no momento da salvação e está sempre disponível (cf. At 1:8 ; Cl 1:29). Paulo, portanto, não ora para que o poder de Deus seja dado aos cristãos, mas para que eles se conscientizem do poder que já possuem em Cristo e façam uso dele (cf. Ef 3:20) – John MacArthur .

v.21
PRINCIPADO, POTESTADE, PODER E DOMÍNIO
→ Paulo queria que os crentes entendessem a grandeza de Deus comparada a outros seres celestiais. ‘’Principados, potestade, poder e domínio’’ eram os termos tradicionais judaicos para designar seres angelicais que tinham uma alta posição no exército de Deus. Deus está acima deles todos (cf. Ap 20.10-15)

v.23
SEU CORPO
→ Uma metáfora para o povo redimido de Deus, usada exclusivamente no NT para falar da igreja. (cf. 1Co 12.12-27)
→ Aqui o apóstolo deixa bem claro que a igreja é o seu corpo. A igreja é um organismo vivo composto por muitos membros (Rm 12), porém, a igreja contemporânea tem vivido apenas como uma organização.
Perdeu-se o verdadeiro significa de comunhão ‘’koinonia’’ praticado pela igreja primitiva. Compreende-se o culto a Deus em tão somente ir a determinado lugar e cantar louvores a Deus, dizer ‘’aperte a mão do seu irmão’’, depois cada um volta para o seu lar e ponto final. Acabou o culto!
Porém, cultuar verdadeiramente a Deus é viver em plena comunhão uns com os outros, carregando fardos, enfrentando as dificuldades do dia a dia, orando uns pelos outros, alimentando-se da palavra de Deus progressivamente ao longo da semana, e não somente se encontrar num dia da semana e dizer ‘’a paz do Senhor’’.
Que Deus desperte a sua igreja para que verdadeiramente O glorifiquemos juntos em plena comunhão.

Fontes
● Bíblia de Estudo MacArthur
● Bíblia de Estudo Palavras Chave
● Programa The Word 
● Russell Shedd & Dewey Mulholland – Epístolas da Prisão, Editora Vida Nova