Como Surgiu e o Que Aprender Com o Carnaval

A festa de carnaval atualmente é a maior atividade comemorativa em nosso país, porém sua origem é longínqua e seu significado, vazio. Diferentemente de outras comemorações, onde encontra-se certos valores éticos e saudáveis, este evento por fim produz apenas cinzas.

Embora haja divergências quanto a sua origem, historiadores tem relacionado este evento à antiguidade, às regiões da Babilônia, Grécia e Roma. A origem do termo é latim, descrito como carnis levale, cujo significado original era ”retirar a carne”. Esse termo está diretamente relacionado à quaresma, que é o período de 40 dais, a contar da quarta-feira de cinzas, que antecede à Páscoa, período este estabelecido pela Igreja Católica Apostólica Romana, em que os fiéis deveriam se dedicar ao jejum, caridades, orações e abstinência de carne, como forma de se prepararem à celebração da Páscoa.
Assim, os fiéis, sabendo que deveriam ficar por um período de 40 dias sem se alimentarem de carne, aproveitavam os três dias que antecediam à quarta-feira de cinzas e se alimentavam abundantemente de toda carne, retirando assim esse alimento de seus lares.

LIÇÃO 1
→ Não existe nenhum erro na prática do jejum, oração e caridades, porém, o erro cometido pela Igreja Católica Romana ao longo dos séculos é a ênfase naquilo que é exterior, enquanto o Evangelho, segundo as Escrituras, enfatiza primordialmente aquilo que é interior. Deus não requer de nós uma religiosidade, mas sim um relacionamento com Ele.
Esse foi o erro cometido pelos religiosos durante a era primitiva, eles se empenhavam em cumprir exigências externas da tradição judaica, porém não se preocupavam em manter o coração limpo diante de Deus.
O Senhor então adverte aos seus discípulos, após Ele ser questionado pelos fariseus e escribas do por quê dos seus discípulos não lavarem as mãos antes de comerem, como exigia a tradição judaica que eles criaram: ”Do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina” (Mt 15.19-20).
Assim, como cristãos, nossa luta contra o pecado e nossa vida de santidade não deve se limitar a um período de quarenta dias, mas deve ser diário, dia após dia.
”Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.14-15).
Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição” (1Ts 4:3)

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Essa nomenclatura (carnaval), porém é um termo recente, tendo em vista que os elementos dessa festa estão presentes em festas pagãs na região da antiga Babilônia. Duas festas possivelmente originaram o que hoje conhecemos como carnaval, Saceias era uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a posição do Rei, vestindo suas roupas, alimentando-se de sua comida e até mesmo dormindo com suas esposas. Porém, ao final dessa festividade, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado.

Outro rito era praticado pelo rei nos dias anteriores à comemoração de ano novo. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde rei perdia o seu emblema de poder e era surrado em frente à estátua de Marduk, o que simbolizava uma submissão do rei em relação à divindade. Em seguida ele novamente assumia o trono.

LIÇÃO 2
→ O elemento central em ambas as festas é a subversão dos papéis sociais: o prisioneiro tornava-se temporariamente rei e o rei humilhava-se temporariamente diante do deus Marduk.
Ou seja, durante aquele período de celebração todos entravam num mundo de ilusão, onde não prevalecia a verdadeira identidade. Talvez esse seja um dos motivos do uso de máscaras e fantasias durante o carnaval, onde todos se tornam aquilo que não são, assumindo assim uma falsa identidade, escondendo-se atrás de máscaras. Tudo o que encontram é uma falsa alegria, falsa diversão, falso senso de prazer já que aquele não é o mundo real, no final o que resta é apenas cinzas, nada mais. Há apenas um lugar onde verdadeiramente o homem encontra sua identidade: em Cristo! Longe de Cristo é tudo vaidade, é como correr atrás do vento.

Aos olharmos para esses blocos de carnaval, notamos a nossa condição quando estamos longe de Deus, mortos em delitos e pecados, vivendo em busca daquilo para o qual não fomos criados, satisfazendo-nos com alegrias e prazeres passageiros, iludindo-nos com os manjares deste mundo.
Por isso é necessário o sopro de Deus em nós, trazendo-nos da morte para a vida, produzindo em nós uma regeneração de modo que não mais desejemos o pecado, mas somente a Cristo. Essa é uma obra sobrenatural de Deus, que não pode ser explicada pelo homem, e que somente Ele é capaz de realizar, quando quer e da maneira que quer. Sem esse sopro de Deus em nós continuaremos seguindo o fluxo desse mundo. É necessário que Deus venha ao nosso encontro, pois ”do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14.2-3).


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Durante o período romano, havia uma festa celebrada em nome do deus Baco (deus do vinho), conhecido como Dionísio pelos gregos. A ênfase dessa celebração era a embriaguez e a entrega total aos prazeres da carne, onde era comum a prática do bacanal.

LIÇÃO 3
→ A prática de embriaguez acompanhada por orgias era muito comum entre os pagãos, de tal forma que o apóstolo Paulo advertiu seus discípulos a se afastarem de tais práticas.
”Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).
A embriaguez faz com que a pessoa perca totalmente o controle de suas ações, levando-a a práticas abomináveis diante de Deus. Em Éfeso, existia um ritual oferecido aos deuses pagãos em que a maneira de adorá-los era se embriagando e cometendo orgias. Paulo porém adverte à igreja quanto a essa prática, ensinando-a que a genuína maneira de adorar ao verdadeiro Deus é através de uma vida controlada pelo Espírito Santo. O que vemos em nossos dias, é uma celebração à Dionísio, embora muitos não saibam.

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De maneira resumida, a minha intenção através deste artigo foi demostrar o quão perverso é o Carnaval.
Como servos do Senhor devemos orar por aqueles que ainda se encontram perdidos, vivendo uma vida de ilusão e vaidades.
Embora haja muita música e uma aparente alegria, o único fruto a ser colhido após esses dias é cinza. Uma substância totalmente vazia, incapaz de preencher o vazio que há em cada coração humano, o qual só pode ser preenchido por Deus.

❝Existe no homem um vazio do tamanho de Deus.❞ — Fiódor Dostoiévski

Em Cristo, Renato Garcia
Revisão, Nádia Garcia