John MacArthur – Os Cristãos na Era Primitiva

‘’Eu sou Cristão’’.
O jovem rapaz não disse nada mais, perante o governador Romano, mesmo tendo sua vida em jogo. Seus acusadores o pressionavam novamente, buscando fazê-lo tropeçar ou forçá-lo a negar a fé. Porém, mais uma vez ele respondeu com a mesma sentença curta: ‘’Eu sou Cristão’’. Era a metade do Século Segundo, durante o reinado do Imperador Marco Aurélio. O cristianismo era ilegal, e em todo o Império Romano os crentes enfrentavam ameaças de prisão, tortura ou morte. A perseguição era intensa, especialmente no sudeste da Europa, onde Sanctus, um diácono de Viena, havia sido preso e levado a julgamento. O jovem foi repetidamente ordenado a renunciar a fé que professava. Mas ele não se deixava dissuadir. ‘’Eu sou Cristão’’. Não importava o que lhe era perguntado, sua resposta era sempre a mesma. De acordo com Eusébio, o historiador da igreja primitiva, Sanctus ‘’se cingiu contra seus acusadores, com tal firmeza, de forma a nem mesmo dizer o seu nome, nação ou cidade a qual pertencia, nem se era escravo ou livre, mas dava a mesma resposta a todas as questões, na língua romana: ‘Eu sou Cristão’.

Quando finalmente ficou óbvio que não diria nada mais que isto, foi condenado a severa tortura e à morte pública, no anfiteatro. No dia de sua execução, foi forçado a passar por duas fileiras de homens minados de açoites, foi submetido a feras selvagens e atado a uma cadeira de ferro em brasa. Com estas coisas, seus acusadores intentavam fazê-lo desistir, convencidos de que sua resistência sucumbiria ante a dor do tormento. Mas, como Eusébio relata, ‘’Mesmo assim, eles não ouviram uma só palavra de Sancts, exceto a confissão que ele balbuciara desde o começo’’. Suas palavras na hora da morte manifestavam um compromisso imortal. Sua contínua expressão se repetiu durante todo o julgamento: ‘’Eu sou Cristão.’’
Para Sanctus, toda a sua identidade – incluindo seu nome, cidadania e status social – estava em Jesus Cristo. Assim, melhor resposta não poderia ser dada às questões que lhe faziam. Ele era um cristão, e esta designação definia tudo a seu respeito Esta mesma perspectiva foi compartilhada por muitos outros, na igreja primitiva. Seguir a Cristo era a suma de sua inteira existência. No momento em que a própria vida estava em grande risco, nada mais importava, além de identificarem a si mesmos com Ele. Para estes crentes fiéis, o nome ‘’cristão’’ significava muito mais do que apenas uma designação religiosa. Antes, definia tudo a respeito deles, inclusive como viam a si mesmos e o mundo ao seu redor. Este selo ressaltava seu amor pelo Messias crucificado, juntamente com sua prontidão em segui-Lo, não importando o quanto custasse. Demonstrava, também, a transformação integral que Deus produzira em seus corações e testemunhava que foram feitos completamente novos em Cristo.
Eles morreram para seu antigo modo de vida e nasceram de novo na família de Deus. Ser cristão não era simplesmente um título, mas, sim, ter um modo de pensar inteiramente novo – de modo a haver sérias implicações na forma com que viviam, e, em última análise, na forma com que morriam. Enquanto o mundo exterior os chamava ‘’Cristãos’’, os crentes primitivos repetidamente referiam a si mesmos, no Novo Testamento, como escravos do Senhor. Sua identidade pessoal havia sido radicalmente redefinida pelo evangelho. Tenham eles sido escravos ou livres nesta vida, todos foram libertos do pecado; e, ainda que comprados por um preço, todos se tornaram escravos de Cristo. Isto é o que significava ser um cristão.

(Trecho do livro ESCRAVOA verdade escondida sobre nossa identidade em Cristo – escrito por JOHN MACARTHUR)