Timothy Keller | Oração (review)

  Imagine uma pessoa que foi diagnosticada com uma doença letal e que, segundo orientações médicas, necessita tomar diariamente determinado medicamento, da mesma forma, o cristão necessita da oração, não se trata de algo optativo, caso deseje uma boa saúde espiritual.
     É através desta ferramenta, que passamos a nos conhecer verdadeiramente, a sós com Deus em oração não há espaço para aplausos, apenas o silêncio do auto-conhecimento. Desta forma, lidando com aquilo que realmente somos, começamos a ser transformados e encaramos a realidade. Porém, não se trata de uma jornada natural, como o nascer do sol, antes, trata-se de uma guerra a ser travada, o que requer de cada soldado paciência e perseverança até que se aprenda a orar. No início dessa trajetória, o primeiro sentimento a bater à porta é a miséria, o vazio espiritual. Existe um caminho a ser trilhado até que a oração deixe de ser um dever e se torne um prazer.
    Em todo ser há um instinto natural que os leva à oração, mesmo entre os não religiosos. Segundo Calvino, trata-se de um ‘’divinitatis sensum’’ (senso da divindade). Embora haja esse sensum divinitatis em todos os homens, a verdadeira oração é remodelada através do conhecimento de Deus revelado nas Escrituras Sagradas, mediante a obra do Espírito Santo. Por isso, torna-se indispensável a propagação do Evangelho entre as nações, para que os pagãos abandonem seus falsos deuses e conheçam o verdadeiro Deus, criador dos céus e da terra.
    O Deus das Escrituras é um ser Pessoal, não se trata de um deus distante, como é ensinado em muitas culturas pagãs. Através da oração, iniciamos uma conversa com Deus que, com o decorrer do tempo, torna-se um encontro pessoal com Ele, dando assim início a  um novo relacionamento, o qual é o mais importante na vida de um homem. É relevante termos em mente que o poder das nossas orações não está nas nossas técnicas ou nos nossos esforços, mas unicamente no nosso conhecimento de Deus. Conforme O conhecemos mais e mais, consequentemente, nossas conversas com Ele fluirão mais e mais.
    Ao contrário do que normalmente pensamos, a oração não é uma iniciativa nossa, mas sim de Deus. Trata-se da nossa resposta a uma conversa iniciada por Ele. O Senhor nos chama através da pregação ou leitura da Sua palavra e nós respondemos através da oração. É exatamente nas Escrituras onde se encontra a presença e o poder de Deus; assim quando começamos a lê-la com fé e confiança, passamos a ser transformados e consequentemente levados à oração secreta. Assim como uma criança necessita absorver o máximo de vocabulário até os seus três anos de idade para que possa se comunicar bem ao longo de sua infância, precisamos estar imersos na Palavra de Deus para que assim saibamos orar. Devemos ouvir, estudar e meditar nas Escrituras. Nossas orações devem estar baseadas no Deus revelado na Bíblia Sagrada, caso contrário, estará fundamentada num deus criado pelas nossas emoções.
    Devemos, contudo, tomar bastante cuidado acerca do nosso conhecimento de Deus. Pois, mais importante do que saber acerca de Deus é conhecer o próprio Deus, o que só é possível através da oração. Caso não desfrutemos de sua presença e nos detenhamos em apenas conhecer acerca dEle, estaremos na mesma embarcação dos demônios, que sabem quem Ele é, por isso, temem e tremem.
    Por fim, um elemento indispensável para as orações é fazê-la em nome de Jesus, pois somente mediante os seus méritos podemos nos aproximar de Deus, haja vista que não há nenhum mérito em nós que nos habilite a se aproximar do seu trono da graça.

Em Cristo,
Renato Garcia

Revisão,
Nádia Garcia